31 de janeiro de 2006

É PRECISO DIZER COM FRONTALIDADE




Esta é a razão porque permanecemos todos em Portugal.

30 de janeiro de 2006


ERRATA

Sinto que às vezes exagero ao mencionar que vivemos tempos de desvario e conservadorismo tacanho ao mesmo tempo.
Com o meu pedido de desculpas, aqui vai uma imagem da nova colecção Primavera-Verão 2006, da Christian Dior.


MATRIXBURGUER

Para os que não têm medo de tomar a pílula vermelha, aqui está um endereço: http://www.themeatrix.com/portuguese/

29 de janeiro de 2006

A CONSTITUIÇÃO E A LEI

Duas mulheres portuguesas preparam-se para desafiar a lei e pedir (repito, pedir, e com pouca esperança) que a Constituição da República Portuguesa se cumpra no que toca à não-discriminação pela orientação sexual. Este movimento de questionamento sobre a justiça veio do interior de um partido (dos que vivem do dinheiro dos contribuintes)? Do interior da Assembleia da República? Das eminências pardas que, diária ou semanalmente, nos dizem pela televisão o que pensar? Não. Veio de duas mulheres que sentem na pele o que é estar condenada a ser cidadão de segunda. À invisibilidade. Ainda por cima (pelo que se viu na reportagem da Sic) não são provenientes de uma classe particularmente instruida ou economicamente saudável. São duas mulheres, iguais aos outros não sei quantos milhões delas, que querem existir. Será naturalmente o princípio de uma batalha que é capaz de nem ir longe. Por agora. Sempre foi assim.
Sabem por que razão os supra-citados representantes não mexem no assunto? Porque eles próprios não concordam. Basta jantar, tomar um copo numa ocasião não-oficial, para que a homofobia salte. Mesmo dos gays (não-assumidos, claro) eleitos. Mulheres juntas, só em filmes porno, e mesmo assim, para dar tusa aos homens.
Às vezes dá vontade de lhes gritar que mexam esses cus inúteis ( falo em sentido metafórico) e que defendam quem os elegeu. Todos os que os elegeram. Que parem de lamber as cruzes a quem usa o dinheiro para mexer os cordelinhos e que cumpram o seu dever.
O dever para com mulheres e homens que moram nos subúrbios, ou nas cidades de província. Que dizem "prontos" e passam os domingos nos hipermercados. Mas que nem assim (ou por isso mesmo) deveriam alguma vez ser tratados como gente descartável.

NEVE EM LISBOA

Estranhei ver a chuva começar a voar.
Afinal, embora de forma ténue (por enquanto) o impossível aconteceu: caiu neve na capital.
Quem sabe se a nuvem de pessimismo (com razões) que paira sobre o país não se transformará um dia numa coisa clara e luminosa...

27 de janeiro de 2006

RON MUECK

Em boa hora, o Rui Carvalheira me chamou a atenção para o trabalho deste autor.
Há qualquer coisa de mortal no seu hiper-realismo. A vulgaridade humana fica sem escapatórias. Um corpo é um corpo. Uma mulher velha é uma mulher velha. Um gigante é um homem exageradamente triste.
Para aceitar, antes de continuar a viver.

E contudo...

Mais aqui ou aqui.

23 de janeiro de 2006

AMÉM

Pergunto-me, que relação existe entre este site e este....
Imagino que uma pergunta destas, duzentos anos atrás me conduziria às masmorras e daí à fogueira... A uma fogueira qualquer.

CAVACO É FIXE!

Ora o homem aí está. À 2a foi de vez. A maioria assim decidiu. E a democracia é isto. E, honestamente, Cavaco Silva é o rosto do Portugal que vivemos. Inculto, novo-rico e crente que o sucesso é fazer uma estrada que leve até aos hipermercados. Será "boa pessoa"? Provavelmente. Representar o país é que é outra coisa...


Deselegante, seria, no mínimo, a decisão do primeiro-ministro José Sócrates em discursar ao mesmo tempo que Manuel Alegre. As televisões fizeram o jogo e o discurso do deputado que conseguiu um milhão de votos contra a máquina partidária do governo foi silenciado. Ou eles assim pensam. Se alguém tinha dúvidas sobre a impiedade da política bastaria ver a maneira como Sócrates, que tem tomado algumas medidas importantes, se apressou a dar a estocada final no candidato presidencial. Seria assim tão difícil; custaria assim tantos votos, admitir que se apostou no cavalo errado? Seria mesmo necessário recorrer a uma estratégia tão baixa e evidente para "ganhar".
Manuel Alegre e os seus apoiantes vieram dizer duas coisas. Para o interior do partido afirmaram que ainda nem todos os homens que acreditam em ideais estão mortos. Para o exterior, que é possível alguém ser eleito sem máquina partidária a preparar-lhe o espectáculo. Ora, qualquer uma das duas propostas é insuportável para uma classe política onde o sentido de justiça foi há muito substituido pelo apunhalar a eito quem se meter no caminho para o poder.
Perdoai-lhes, Senhor, que eles não sabem mesmo o que fazem...

20 de janeiro de 2006

PRESIDENCIAIS

A coisa não provoca grande excitação, dado o perfil dos candidatos. Excluindo os não-elegíveis que sabendo-o tentam ganhar votos para o partido que representam, restam 3. Um que deveria ter sabido retirar-se enquanto tínhamos dele a ideia de ter prestado um bom serviço ao país, outro de quem só conhecemos a poesia e (parece) um coração dado às causas perdidas (como a democracia, a prevalência da inteligência e da emoção sobre a imbecilidade e por aí fora...) e, apoiado em bloco pela Direita (o que nunca é bom sinal para o mexilhão) um ex-primeiro ministro. Ao que tudo aponta, este último deverá ser o vencedor, logo a despachar. Não ficarei surpreendido. Santana Lopes também chegou a presidente da Câmara de Lisboa, o que era impensável, e mais tarde a primeiro-ministro, o que nem ao diabo lembraria. A depressão que atinge o país não tem só origem nas dificuldades económicas. Deriva também do espectáculo de ver aceder a lugares de poder pessoas, oriundas dos aparelhos de poder, da lambe-botice despudorada e da incúria nas escolhas (veja-se a Cultura, por exemplo, e a forma como o actual governo a tem deixado ao deus-dará; ou na câmara de Lisboa, a pavorosa equipa resultante das últimas eleições - que ainda se "está a organizar", desde Setembro!- e que nos deprime a todos). Passámos de um Estado em que as pessoas eram nomeadas exclusivamente por cunhas, para outro em que os cargos são ocupados por incompetentes que sobem à dentada.
Não ficarei surpreendido se alguém que leu pouco e parece entender ainda menos da diversidade que compõe o país for eleito. Direi até mais: será porque Portugal está mesmo a merecê-lo.

17 de janeiro de 2006

IN AMERICA

"O condenado à morte mais idoso da história do estado norte-americano da Califórnia foi executado esta noite, na cadeia de San Quentin. Para além de cego, surdo e diabético, Clarence Ray Allen, que ontem fez 76 anos de idade, sofria de problemas cardíacos e estava confinado a uma cadeira de rodas." in PÚBLICO
Ao que consta, o homem ainda terá resmungado, enquanto tropeçava no corredor:"Não sei para onde me levam, mas se é para a injecção da gripe, mais vale matarem-me. É que fico todo doído das agulhas".
George Bush enviou um perú à família do condenado.
SAY: BYE BYE!

O Rui C. enviou-me este endereço fatídico.
Só para corações fortes.
"Nós os ossos que aqui estamos..."
www.findyourfate.com/deathmeter/deathmtr.html

16 de janeiro de 2006

AINDA A RADICAL

Outra série de culto a não perder, passa aos domingos e repete (julgo) às segundas, é "Shameless", na Sic Radical. Uma família de Manchester levemente perturbada.
Afinal, televisão não é só lixo. Os programadores têm é que trabalhar um bocadinho para encontrar as pepitas. Mais informações aqui.

SEGUNDA-FEIRA 13

Hoje é dia de azar na casa: a máquina de lavar roupa avariou, a instalação eléctrica começou a largar faísca e descobri que uma chávena de café, incontinente, se descuidou por debaixo do teclado.... Mas se excluirmos o facto de ter de escrever embrulhado numa manta, já que não dá para ligar o aquecimento, a coisa não está mal de todo. Pode ser que a minha escrita se torne um pouco mais fria e racional, agradando mais à crítica literária.
Por falar em crítica, desta vez quotidiana, é interessante ver como os nossos jornalistas ficaram assustados com a medida espanhola anti-defumação. No "Expresso", a minha colega Inês Pedrosa, vem alertar para o perigo das medidas que pretendem submeter toda a gente "às regras do rebanho", o "novo PREC" (Período Revolucionário Em Curso, 1975). O ataque aos "direitos dos fumadores" também são defendidos numa nova revistita que vem com DN, a NS, que diz NÃO PODE SER, à "cruzada" que além de impedir os menores de comprar tabaco (perdão amigos nordestinos pelo uso da palavra, que por aqui não quer dizer o mesmo) ainda os impede de frequentar os locais onde o fume abunde. De facto, não se percebe a incoerência.
Estou solidário nesta inquietação que não deixará de produzir os seus frutos entre os panacas/interesseiros que nos governam. E queria acrescentar que além do direito a poluir o espaço dos outros, também deveríamos fazer qualquer coisa contra as medidas absurdas que impedem os nossos cães de cagar nas portas dos vizinhos, a masturbação nos restaurantes, o apalpar de toda a gaja boa que passe na frente e, o mais importante, o simples chamar "realíssima puta" às funcionárias dos correios que demorem a atender-nos.
Afinal, onde está a liberdade dos portugueses? Força, companheiros, unidos esculhambaremos!

14 de janeiro de 2006

PIONÉS

A Sic Radical continua a dar cartas no humor português, ou no que poderia se o aparecimento de novos valores. Estreou um novo programa, Pionés, de uns amigos das Caldas, cheio de graça e muito nacional. A provar que o país não é só (nem de perto) Lisboa. E que esse cancro chamado RTP poderia estar a prestar serviço público se abrisse os seus canais a novas propostas. Em vez de continuar a envergonhar-nos com o gasto indecente do dinheiro público a alimentar medíocres. Eu sei que isto não é novo, que toda a gente acha que é uma doença crónica. Mas quando vemos empresas a fazer muito com pouco lembramo-nos de que as coisas poderiam ser diferentes.
Mais, aqui.

12 de janeiro de 2006

LIBERATUS

O desvairado que há vinte anos atrás pregou umas facadas no Papa foi posto em liberdade provisória. O Vaticano já veio dizer que "iria respeitar a decisão do tribunal", para alívio do juíz. Contudo, perante o protesto de alguns grupos religiosos, João Paulo II foi forçado a ressuscitar por algumas horas e pedir que "não lhe lixassem o esquema de canonização que estava a ir tão bem". E acrescentou ainda que "Nossa Senhora mandou dizer que se não pararem com essa merda, vai ter de subir de novo para cima de uma azinheira e fazer o sol rodar. Em cima das vossas cabeças". Antes de subir ao céu, parecendo um pouco mal-humorado, o ex-papa ainda acrescentou: "Ah: e rezem o terço!".


ps: Lembra o meu amigo Carlos, e bem, que afinal foram tiros de pistola. Ora, pistola, faca, chicote de sete rabos... o que interessa é que a gente vá para o céu e que na terra, o nosso nome sirva para justificar os jogos de poder de quem cá fica.
AINDA A QUESTÃO DO TEATRO NACIONAL

Sobre o assunto abaixo referido, o Rui Zink escreveu e enviou a sua opinião:

"Muito barulho por nada

Soube pelos jornais que uma nova equipa vai dirigir o Teatro Nacional ? por algum tempo. Nestas coisas de cultura, como noutras, é bom que toda e qualquer gestão seja apenas "por algum tempo". Essa equipa, tal como a que ora finda o seu consulado, é constituída por pessoas que, pela sua competência, pelo seu currículo, pelo seu amor ao teatro, me merecem o respeito ? e deviam merecer aos outros.
Pelo que li, a nova equipa tem por projecto central promover e divulgar o teatro português ? isto, supunha eu, devia ser uma evidência. No entanto, parece que causa escândalo a alguns Senhores da Guerra. Um publicista que talvez um dia dê um bom ministro da Cultura (mas por enquanto ainda não o é) escreveu mesmo, sem pudor, que "do Teatro Nacional são banidos Eurípedes, Shakespeare, Racine, Strindberg, Tchekov, Brecht, Pinter e Shakespeare" (Augusto M. Seabra., Público, 8/1).
Compreende-se que cada pessoa defenda os seus amigos e interesses com paixão ? mas mentir é feio e insultar a dignidade profissional dos outros também. E sim, isso sim, é muito mau teatro. .
Compreende-se que cada pessoa defenda os seus amigos e interesses com paixão ? mas mentir é feio e insultar a dignidade profissional dos outros também. E sim, isso sim, é muito mau teatro.

Rui Zink"

10 de janeiro de 2006

A VIGÍLIA


Parece que, apesar do frio, um grupo de "artistas" resolveu reunir-se em frente ao Nacional. Como não li o Público, não sei se a coisa resultou ou não. Mas lá convocação por sms, houve...

Para os amigos quem moram longe façamos uma descrição simples:
Quando os governos mudam (no caso português, "alternam") o novo ministro muda toda a gente que esteja à frente dos departamentos, secretarias, teatros, direcções gerais e por aí fora. É por isso que tanta gente aparece nas campanhas políticas, apoia-se o partido X e depois ele paga com uma panela cheia se for eleito. Normalmente na cultura (sobretudo, e por tradição, a direita portuguesa) metem-se os que não servem para mais nada. Por isso temos os ministros que temos e os secretários que temos.
O governo actual resolveu mudar o director de um peso inútil (não no sentido da necessidade, mas sim no dos resultados práticos) a que se convencionou chamar "Teatro Nacional". Tinha até à data um cenógrafo, suponho, ligado ou do apreço do PSD e agora foi nomeado outro director teatral para essa função. Não sei se a nomeação foi política, de gosto ou de utilidade. A praxis remete geralmente para o primeiro caso. Não sei. Mas sei que a pessoa nomeada foi tratada publicamente por "merceeiro", "Quim Barreiros" (um cantor brega/pimba). Não sei em que se basearam para mimosear um colega dessa forma. Suponho que foi na superioridade intelectual do redactor/emissor.
Quando olhamos mais de perto os intervenientes neste "protesto" vemos que muitos deles fazem parte dos "artistas", unidos pelo facto de terem projectos a correr, ou corridos (do) no Nacional. Outros são amigos dos amigos do antigo director. Muitos são actores a precisar de trabalho e que avistam nesta mudança a perda de trabalhos futuros. Não especulo, baseio-me em casos concretos.
Um dos mais virulentos é precisamente alguém que vive pendurado do bolso dos contribuintes há décadas. As suas opções estéticas têm-nos massacrado a paciência e o erário. E, pela força do lobby suponho que o continuarão a fazer.
Esta ministra não é competente ou não deu até agora provas disso. O Carlos Fragateiro poderá ter no seu c.v. de director teatral opções discutiveis (o caso das desinteressantíssimas peças de Freitas do Amaral, para não ir mais longe), mas manteve o seu teatro cheio de público, preocupou-se com o texto dramático e deu sempre uma atenção privilegiada aos autores nacionais. Além do mais, e ao contrário do A. Lagarto, não ficou com o rabo sentado em casa quando era convidado para ir assistir a novas propostas noutros locais: ia, mesmo quando saía pouco entusiasmado com o resultado. Isso, eu vi. Não dá preferência aos pintéres, fingindo que descobriu a pólvora e que esse acto faz dele um génio.Não precisa: já cá andam outros a fazê-lo.

ps: Não, não vou ter uma peça representada em breve no Nacional. E, não, não sou amigo do Fragateiro. E, não, não acredito em uniões desinteressadas de partes interessadas. Esclarecido?

6 de janeiro de 2006

LITERATURA BRASILEIRA

Do Brasil, via meu amigo Luiz Ruffato ("Eles eram muitos cavalos", a sair em Portugal em breve, entre outros títulos), chega-me a notícia de que o jornal literário RASCUNHO, o único jornal do género no país, chegou à net.
Entre outras secções, conta com "Oceanos", onde podemos ler (a lista cresce) textos de autores de língua portuguesa, não-brasileiros.
Nâo será tão bonito como em papel (um formato grande e, como diria o Carlos Pinto Coelho, "gostoso"), mas mais acessível para nós.
Aqui. Basta clicar.
RECEBER E DAR

Ontem, discordava de mim um amigo meu (sócio de uma pequena empresa) quando eu defendia a obrigação social das empresas. Parece-me lógico que quando um grupo tira de uma comunidade uma grande quantidade de dinheiro deva contribuir em troca para o bem-estar e educação dessa mesma comunidade. Seria até lógico: uma população educada e saudável tem, geralmente, mais condições financeiras para consumir. Seria, digo.
O que se verifica na prática é que os benefícios circulam numa só direcção. Uns produzem e lucram. Outros consomem e pagam. Esta distribuição de tarefas estaria bem se não fosse escandalosamente desiquilibrada. Se não estivessemos a falar de um país que dispõe de poucos recursos e onde a cultura, a saúde e a educação têm um longo caminho pela frente.
O meu amigo defendia que se as empresas ajudassem as comunidades obteriam disso benefícios para a sua imagem, aumentando a sua competitividade. À pergunta, "quantas empresas assim conheces?", só me pode responder com o nome de 2 (e ainda assim, discutíveis...).
Não vivemos num país generoso. Gostaríamos de viver, mas isso não acontece. A riqueza é distribuída de forma razoável quando a legislação a isso obriga. E, de qualquer modo, não há grande espaço para nos lembrarmos dos outros quando somos diariamente bombardeados com a palavra "crise", ou com frases como "competir de qualquer forma para não ir ao fundo".
Se os nossos políticos não andassem preocupados com manterem os tachos sem fazer ondas, poderiam começar a pensar em formas de obrigar as empresas mais lucrativas a desenvolver projectos que ajudem quem os cerca e consome os seus produtos. Aposto que se fosse obrigatório não tardaríamos a ver patrões com ar satisfeito a posar ao lado dos que menos podem ou têm.
Seria outra vez Natal, no fundo... ;)

3 de janeiro de 2006

ESPANHÓIS: MIL- PORTUGAL: ZERO

Todos os dias saem leis em Espanha que se nos remetem para o atraso confuso em que patinamos. Por mais que tenhamos Aljubarrota entalada na garganta, somos forçados a ver que a Espanha do ponto de vista da democracia e do progresso social não está aqui ao lado: está lá à frente.
Hoje foi promulgada a lei que remete o acto de fumar para o ar livre. Os espanhóis já não podem encher a comida das outras pessoas de fumo, ou afastar por incómodo os não-fumadores dos lugares públicos e fechados. Ninguém está proibido de fumar. Mas vai ter de o fazer onde não chateie.
Cá não, claro.
"Contactado pelo DN, o porta-voz do Ministério da Saúde explicou que o trabalho de revisão do diploma da anterior tutela "está a ser ultimado". Tabaqueiras, restaurantes e discotecas estão a ser consultados e a Direcção-Geral da Saúde "já concluiu a sua parte do trabalho". Não há pressa? "Pressa há, e o documento já podia estar pronto, mas a lei antitabaco envolve a consulta de muitos parceiros.".
Um dos parceiros, a Tabaqueira apresentou um lucro de perto de 70 milhões de euros. Os seus administradores ganham milhares de contos de salários e alcavalas. Pergunto a mim próprio que conselho terão eles para dar ao ministério da saúde.
Entretanto, o mesmo ministério já anunciou que os miúdos que vemos aos magotes a fumar à frente das escolas e nos centros comerciais vão ter de pedir aos amigos com mais de 18 anos que lhe comprem os cigarros. Os de 16 já não podem. Parece que é uma ordem lá da Europa...

PARA O CARLOS, GRANDE OBSERVADOR DE BATALHAS NA BAÍA DE TODOS OS SANTOS

Parece mentira, mas consegui fazer uma moqueca decente, em Portugal.
Sem tacho de barro, é certo. E o peixe era do supermercado, ranhosito, benza-o Deus. Mas ainda assim, ficou comestível.
Considera isto uma nova rendição portuguesa, frente à ilha de Iparica. :)
PLANISFÉRIO PESSOAL

Durante todo o tempo em que estive em viagem pensei em colocar um agradecimento. Ao Gonçalo Cadilhe pelo seu livro "Planisfério Pessoal". Graças aos relatos, que tinha acompanhado parcialmente no Expresso, pude antecipar o sentimento de solidão que atinge o viajante ao fim das primeiras semanas. Num quarto ranhoso, nos confins do Pará, lembrei-me que a vontade de atirar com tudo ao ar e voltar para o quentinho (neste caso, fresquinho...) era natural e acontecia a todos. Também foi por ele que cheguei ao Lonely Planet que me foi da maior utilidade (com as respectivas falhas e interpretações americanas sobre o que é um "hotel de charme", claro).
E também me fez acreditar de que seria capaz de atravessar com muito pouco dinheiro um país do tamanho de um continente.
Mas o mais importante foi a velha dica de que o mais importante são as pessoas.
O resultado foi uma mala cheia de amigos e de recordações de conversas em volta de uma cerveja ou de um prato de "frango à passarinho".
Quando ele deixar de estar na moda e as meninas da Sic e das revistas passarem à novidade seguinte, ele que guarde o agradecimento deste leitor regressado.

2 de janeiro de 2006


SALVA, É BONITO E NÃO ESTÁ CARO!

Com o cardeal de Lisboa a condenar experiências que metam embriões excedentários, na mesma linha em que no Renascimento se proibia a dissecação dos corpos para estudo, em que a Santa Casa da Misericórdia usa o dinheiro do jogo (euromilhões) para se promover em corridas de carros e o nosso maior banco privado tem ligações directas ao Vaticano, precisamos mesmo de conselho e ajuda.
Por isso, recomendo este livro ( $54.95 + portes de envio) ,um Missal Diário, de 1962 (antes da desgraça que foi o Concílio Vaticano II), que segue directamente as indicações do Concílio de Trento.

Entre outras curiosidades poderemos aprender a rezar missa nas dioceses do Estados Unidos (o que dizer que não leve a processo e a idade indicada para os "coroinhas"... imagino eu) e um capítulo especial à "Igreja das Mulheres" (??).
Infelizmente, apesar de ser redigido segundo a teologia tridentina, não encontramos nenhum capítulo dedicado à "Queima e Destruição Por Todos Os Meios De Descrentes Naquilo Que Dizemos". Uma falha que se espera resolvida nos próximos anos.
Mais informações aqui
2006

Mais um que chega. Os anos sempre chegam e, o que é pior, passam.
Olhando para trás, e achando que passou tão rápido que não tive tempo de fazer nada de útil, descubro que escrevi 3 pequenas peças de teatro (uma das quais levada à cena - outra experiência, a encenação), co-escrevi e realizei 2 curtas-metragens, participei na selecção do melhor festival português de cinema, o Indie, publiquei um livro de crónicas, atravessei todo o Brasil de mochila às costas (quase sem dinheiro, claro, ou não fosse escritor na terra do triunfo do Light), iniciei a redacção final de um novo romance e trabalhei para que retribuir o afecto daqueles que fazem o favor de me gostar de mim. Entre outras coisas.
Não foi mau.
Para 2006, não peço muito: que o destino me mantenha perto dos meus e que estes se sintam felizes por isso, terminar de forma honesta a escrita deste livro e fazer um milhão de coisas não previstas mas que justifiquem o facto de me recusar a fazer "méééé´..." enquanto corro para o precipício.
Bom ano a todos.